Estúdios Flávio Medeiros

Eles estão em grande quantidade no Brasil: os falsos artistas ... ou artistas "meia-boca".

Sendo eu um artista e tendo dedicado tempo, dinheiro e estudo para tornar-me um profissional, fico indignado ao ver tanta farsa nas rádios e TV já há algum tempo. Os falsos artistas são elogiados e tratados como artistas de verdade pela mídia que se diz "especializada".

Se você é esperto, certamente já percebeu quem são e quais as suas características. Entretanto, muita gente ingênua acredita no artista fajuto, compra o seu CD e, pior, ainda paga caro para ir ao show do dito cujo, que normalmente é dublado, não se dando conta de que está sendo feito de idiota.

Fico ainda mais indignado ao ver pessoas da mídia, especialmente apresentadores de programas de rádio e TV, coniventes com essa palhaçada e ajudando a enganar os pobres desenformados.

Ah... que falta faz o saudoso apresentador Flávio Cavalcante, que não pensava duas vezes e quebrava os discos dos maus artistas ao vivo em seu programa de TV!

Enfim... como o povo brasileiro não reclama de nada mesmo acaba engolindo muito sapo: falo especialmente de cantores e instrumentistas que sobem ao palco para dublar e fingir fazer algo que não sabem, ocupando assim o espaço de quem tem talento e se dedica à arte.

CHEGA!!

Precisamos dar um "basta" e tirar o nariz de palhaço, pessoal.

Diga não ao falso artista. Vamos vaiar e exigir respeito.

Vou então jogar a porcaria no ventilador e confirmar um dos "podres" deste ramo: de fato, os boatos que dão conta de que cantores podem ser afinados em estúdio são pura REALIDADE já que nós, produtores, dispomos de recursos tecnológicos para tal e dele fazemos uso quando preciso. Este recurso, que foi criado com a intenção de permitir pequenas correções em grandes interpretações, lapidando o que já é bom, está sendo usado demais. Sendo intensamente utilizado, acaba por tornar grandes desafinados em pretensos "cantores profissionais".

Mas um detalhe: não adianta culpar-nos, técnicos e produtores, por fazermos o nosso trabalho e nos utilizarmos deste recurso com falsos artistas - até porque ganhamos muito bem para afinar alguém. Na prática, quanto mais intensa for a desafinação, mais tempo se gasta dentro do estúdio consertando os erros. Para nós, isso é ótimo. Se você quer falar mau de alguém por causa disso, aí vai a minha dica.

ACHINCALHE O EMPRESÁRIO E A GRAVADORA

Tolo é quem gasta e investe em gente assim - ou seja, os empresários que gastam uma fortuna criando falsos artistas. É público e notório que existe um mercado que fomenta este tipo de enriquecimento - assim, esses patrões acabam ganhando bem em cima da ignorância cultural nacional.

Eles, sim, é que precisam ser apontados como os verdadeiros culpados ... Aliás, se esses investidores tivessem um bom prejuízo fazendo isso, talvez a situação não estivese do jeito que está.

Então, cabe a todos nós fazermos a nossa parte para "quebrar" essa gente oportunista. Descubra primeiro quem é realmente talentoso e quem não. O julgamento não é tão complicado: se o artista diz-se um "cantor", tem que cantar bem. Não adianta ser "tão bonitinho" ou "dançar muito": o sujeito TEM QUE CANTAR se quer ser chamado de cantor. Oras bolas: bonitinho é modelo. Quem dança bem é dançarino. Cada macaco no seu galho, ok?

Prosseguindo: se o cantor dublar... xiiiii ... descarte-o: ainda mais se estiver em um show cujo ingresso constava como "ao vivo". Esse é o pior tipo de farsante, merecendo ser vaiado e seu empresário, preso. Agora... se o show for vendido como "playback", cabe a você decidir se seu dinheiro é capim e comprar o ingresso. Essa regra também vale também para certos "instrumentistas", dubladores de violão, por exemplo... uma piada.

Mas o mais importante é que você tenha a certeza de que está diante de uma farsa e passe esta informação. Recuse a ser enganado: defenda-se, mudando de estação se ouvir sua música na rádio. Quando aqueles que investem em artistas fabricados começarem a ter prejuízo, vão precisar mudar de estratégia... ou de ramo.

Entretanto, não seja rude ou injusto: quando você estiver em um bar (com música ao vivo, por exemplo), e não gostar do trabalho do artista, tente analisar a situação com frieza. Se o couvert for desproporcional à qualidade da música, queixe-se ao proprietário ou gerente - mas não ao músico. Lembre-se: nem todo músico tem que ser um astro virtuoso. Tenha em mente que alguns estão começando e precisam de um incentivo... mas o preço deve ser justo.

Mas não esqueça o objetivo principal deste ensaio: denunciar a verdadeira fábrica de falsos artistas e suscitar a sua consciência para que se dê valor a quem verdadeiramente TEM valor.

Afinal de contas... você gosta de ser enganado?

Flávio Medeiros
flaviomedeiros@flaviomedeiros.com.br


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